Treinamento de força x Artrite Reumatóide

A Artrite Reumatóide (AR) é uma doença sistêmica, auto-imune de etiologia desconhecida, caracterizada por poliartrite periférica, simétrica, que leva à deformidade e destruição das articulações em virtude de erosões ósseas e da cartilagem. Afeta 2 a 3 vezes mais as mulheres do que os homens e sua prevalência aumenta com a idade.

As pessoas que têm a doença queixam de dor e rigidez em múltiplas articulações, além de limitações de movimento articular.  Devido a isto, as suas atividades de vida cotidiana são afetadas, como vestir-se, levantar da cama, subir e descer escadas, podendo diminuir a autonomia, atingindo a sua qualidade de vida.

Tratamento

O diagnóstico precoce e o início imediato do tratamento são de fundamental importância para o controle da doença e para prevenir possíveis incapacidades funcionais e lesões articulares irreversíveis. 

O paciente e os familiares devem estar conscientes sobre a doença, as possibilidades de tratamento, riscos e benefícios. É necessário acompanhamento multidisciplinar, de preferência sob a orientação do reumatologista.

O objetivo da terapia com exercícios é preservar o movimento, restaurar o movimento perdido, aumentar força e resistência estática, aumentar resistência dinâmica, melhorar a sensação de bem-estar e promover condicionamento cardiovascular.

Estudos mostram que o exercício maximiza a amplitude de movimento, força muscular, resistência, alinhamento adequado das articulações, função e densidade óssea.

Treinamento de Força x Artrite Reumatóide

Para Frontera (2001), os programas de treinamento podem ser estáticos ou dinâmicos, ou uma combinação de ambos. Estes levam à hipertrofia da fibra muscular e melhoram a função articular em pacientes com AR. 

O treinamento de força dinâmica melhora a capacidade funcional, reduz a taxa de hospitalização, reduz a incapacidade para o trabalho sendo de suma importância para a melhoria de vários aspectos da qualidade de vida de pacientes com AR.

O treinamento de resistência muscular deve ser preferido ao treinamento aeróbico na AR (FIATORE, 1996), pois pode parar ou reverter a perda de massa muscular, sendo portanto, preferência para a manutenção da capacidade funcional e independência. (EVANS, 1999)

Segundo Ronai et al., (2008), para iniciantes, 2 ou 3 repetições por exercício devem induzir as primeiras adaptações sem aumentar a dor ou o inchaço das articulações. A partir daqui progredir para 10 a 12 por exercício, tendo como factor limitativo a dor. Exercícios com contracção isométrica devem ser privilegiados numa fase inicial. Uma série por exercício deverá ser suficiente para principiantes. Contudo, progressivamente deve-se utilizar múltiplas séries. A progressão da carga deverá ocorrer de acordo com a resposta individual ao treino e tendo sempre como factor limitativo a dor.

Evans (1999), estabeleceu normas de prescrição de TF na população idosa, incluindo pacientes com AR. Recomendou-se: o treinamento deve privilegiar os grandes grupos musculares importantes nas atividades de vida diária (AVD’s). São recomendados em média de 8 a 10 repetições/exercício, sendo elas realizadas lentamente, levando em torno de 2 a 3 seg para levantar os pesos e 4 a 6 seg para abaixá-lo, numa frequência de treino de 2x semanais.

Referências bibliográficas

BALSAMO, S.; SIMÃO, R.. Treinamento de Força Para: Osteoporose, Fibromialgia, Diabetes Tipo 2, Artrite Reumatóide e Envelhecimento. São Paulo: Phorte, 2005.

DIAS, MF. MOREIRA PO; BARBOSA, R.C. Rheumatoid arthritis and dynamic strenght training. Revista Digital Vida e Saúde, Dez-Jan / 2002 Vol. 1, Nº 3

EVANS, W.J, Exercise training guidelines for elderly. Med Sci Sports Exerc, 31: 12-7,1999

FIATORE, M.A. Physical activity and functional independence in agin. Res. Q Exerc. Sport., 67(suppl 3):70,1996

FRONTERA, WALTER R., DAWSON, DAVID M., SLOVIK, DAVID M. Exercício Físico e Reabilitação. Porto Alegre, Artmed, 2001

SATO E.I, ATRA E, SCHICHIKAWA K, INOUE K. Estudo da prevalência da Artrite Reumatóide em população de origem japonesa em Mogi das Cruzes, São Paulo. Rev Bras Rheumatol, 30:133-6, 1990.

RONAI P, SORACE, P, LAFONTAINE, T,. Resistance Training for Persons With Osteoarthritis and Rheumatoid Arthritis. Strength and Conditioning Journal. 30 (2), 32-34, 2008

Sobre Profª. Joziane Teixeira Santos

Profissional de Educação Física graduada pela UNEC (Centro Universitário de Caratinga – Campus Nanuque) em 2009. Especialista em Atividade Física Adaptada e Saúde pela UGF (Universidade Gama Filho). Atua como professora em escolas públicas estaduais de Minas Gerais na cidade de Nanuque além de ministrar aula de Ginástica Laboral no FRISA (Frigorífico Rio Doce S/A), Karatê infantil e Ginástica para mulheres.
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6 respostas para Treinamento de força x Artrite Reumatóide

  1. Joze, adorei o artigo, como sempre! Parbéns de novo!!rsrs. Tenho medo de estar desenvolvendo uma artrite. Depois de ler o seu artigo creio que devo procurar um médico.
    Beijos

  2. Chico Pacheco disse:

    Muito bom! Já tinha feito uma pesquisa sobre o assunto a dois anos atrás, por conta de uma aluna que tinha artrite. Só uma dica. Podia ter sitado a distinção entre artrite e artrose.
    Tô adorando seus artigos Jozi. Ajudando muito em meus estudos😉

  3. douglas disse:

    EXCELENTE ABORDAGEM E FORNECE AOS PROFISSIONAIS UMA BOA BASE PARA INICIAR UM TRABALHO COM ESSE DETERMINADO GRUPO…
    ABRAÇO

  4. Ei Douglas, obrigada pelo comentário. Realmente isto é só uma base, mas se quiser mesmo trabalhar com este grupo especial, tem que aprofundar mais nos estudos. Conte comigo! Abraços!!!

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